Pra mim, foi mais fácil saber o que eu não queria.

Pra mim, foi mais fácil saber o que eu não queria.

Passei um bom tempo da minha vida só observando ela passar. Lamentava a sorte que não chegava, as frustrações que se amontoavam feito roupas sujas de um mês inteiro, emboladas no cesto já transbordante de peças fétidas que já nem me serviam mais.
A amargura que me sufucava feito cobertor de pêlos no rosto em pleno verão. O vácuo que me deixava sem chão, sem a mínima perspectiva de direção. Aliás, existia um direcionamento, um caminho, onde seguia cega, trombando em tudo e em todos.
Caminho esse, que por pura ignorância, eu mesma tinha me botado lá, que me levou ao fundo do poço existencial.
Eu me debatia, chorava, me diminuia, explodia de raiva, esperniava, vivia dias de uma lamuria sem fim, e nada, absolutamente nada acontecia para mudar.
Me acostumei a reclamar e a culpar a vida, os parentes, a escola, os vizinhos, os amigos, o governo, e transferia minhas frustrações . A culpa não era minha! Quem quer se lamentar da própria sorte???
Procurava ajuda, alguém que me desse uma fórmula, uma solução, uma luz, qualquer coisa que me tirasse daquele buraco negro, fundo, irrigado pelo meu mar de lágrimas, que transformava a terra em baixo dos meus pés em uma lama densa, que me sugava tipo areia movediça quanto mais me debatia pra sair mais ela agarrava, mais presa parece que eu ficava e mais eu me lamentava e mais choro vinha e mais a lama subia e mais lágrimas que irrigava àquele buraco, e já quase me afogava sozinha, por mim mesma.

 

Como foi difícil pra eu entender, que era só eu botar na máquina àquelas roupas pra lavar! Colocar numa malinha o que não mais me servia e simplesmente me desfazer.

Eu precisei me ver no fundo do poço, com a lama até o pescoço pra decidir se eu deixava a lama me cobrir ou eu ia me tirar dali.

Não chega mãos pra nos levantar se não erguermos os braços. Demorei pra entender isso.
Não nos falta mão, na verdade, não nos falta nada, não duvide disso! Porque eu duvidei e você viu aonde eu me enfiei.
Quando ergui meus braços, quando eu decidi sair daquele buraco, estava lá a mão estendida pra mim, e naquele momento eu endendi que a decisão foi minha, eu que levantei as mãos.

Nós só ouvimos o que queremos ouvir, se premita ouvir o óbvio e assim estará erguendo suas mãos.
Para tirar a lama do corpo pode demorar um pouco, eu não tinha mais pressa, aprendi naquele buraco que quanto mais me debatia, mais eu afundava. Mais cada pedacinho do corpo, por menor que seja, que vão ficando limpos, é simplesmente encantador!

Daí sim, de banho tomado, comecei a me questionar, quem sou eu? O que eu quero?
E nada! Eu não sabia o que eu queria. Estava tão acostumada a não poder nada, a nunca poder nada, que eu deixei de querer. Eu nem me conhecia! E o que mudou depois de um banho que agora eu podia? Eu ergui as mãos!
Entendi, aprendi, enxerguei, escutei.
Quem me limitava àquela realidade horrível, EU .
Ninguém era culpado pela minha sorte lamentável, a não ser EU.
Quem tinha escolhido olhar para o que eu não tinha? EU.
Quem preferiu sentar e chorar ? EU.
Não foi fácil admitir, não foi fácil me encarar, não foi fácil ME confrontar.
Ainda estou no processo, ainda encontro dificuldades, isso requer disciplina, foco, constância.
Mais conto pra você, hoje de banho tomado, cada dia me surpreendo mais comigo mesma.
Admitir e tomar a responsabilidade da minha vida como minha, foi e é a melhor coisa que eu já fiz até agora. A partir do momento que eu percebi isso, comecei a mudar em mim, atitudes que antes eram automáticas.
Se eu quiser prestar um concurso, e não tiver o dinheiro da prova, a escolha é minha de fazer ou não a prova.
Uai, mais se você não tiver o dinheiro, como que você pode escolher? Eu te digo, se eu quisesse fazer eu ia dar um jeito de fazer, ia ligar para uma vizinha para oferecer faxina, vender bolo; entendi que quando a gente realmente decide se ajudar, paramos de nos sabotar e buscamos uma solução para o que nos impede não nos impeça mais. “Abrir as janelas da inteligência”.
Enfrentar o medo do julgamento alheio, é alheio e ponto, não posso controlar o que as pessoas pensam sobre qualquer assunto, mas posso fazer algo por mim e se isso me coloca em uma situação de vulnerabilidade social, ok , tô indo, sendo eu, paciência pra quem decidir me julgar.
Estou me permitindo viver, me permitindo ser quem sou, me permitindo trilhar um caminho que eu decidi que quero, me permitindo querer.
Estou literalmente me jogando pra dentro de mim mesma e assistindo o maravilhoso resultado que me tem dado por fora!

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